2ª Trienal de Luanda

em 25/10/10

A instalação "Fala dos Confins" foi montada dentro de um candongueiro, Van azul que constituí o principal meio de transporte de Luanda e que coincidentemente tem as mesmas cores que "Catarina", a Kombi que viajei pelo Sertão. Candonga é um tipo de negociação ilegal, assim nasceram os candongueiros da necessidade e carência de transporte público. Mas hoje os candongueiros, já absorvidos pelo sistema, estão por todos os lados fazem parte da paisagem de Luanda. São uma espécie de táxi da cidade.

Catarina encontro o Candongueiro, primo atlântico da perua. Nele se camuflou, soltou a voz sertaneja e levou os luandenses a percorrem açudes, meninos pirilampos, mansas cabras, meio fio de estrada, sol a pino e uma sombra comprida como sonho de criança engolido pela boca sedenta do barro do sertão. Os luandenses tomaram a linha imaginária com itinerário as terra multiformes da memória. Sim, Catarina chegou ao continente africano e se apaixonou, encontrou os seus. Tantos, homens, mulheres, crianças feitos de sol e matéria humana, sim, como no sertão da Bahia. Igual ao suco de umbu de Dona Vitinha, igual ao ritmo de Seu Antônio Pixene, feito Seu Tiago rindo. Catarina não quis voltar quis desaparecer no candongueiro, se metamorfosear e na magia da fala angolana encontrar o segredo da fala sertaneja.

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